Você já viu suas costas?
Não, eu não perguntei ao espelho.
Perguntei a você.
Já viu suas costas?
Des lá da nuca ao finzinho da cintura?
Viu?
Passar a mão não vale. E mão tem olho?
Viu nada.
Pois eu vi.
Ainda ontem a mulher dos peixes
me deu as costas pra eu ver,
como se tristes fossem.
A mulher dos peixes entrando
no armazém do outro lado da rua.
Entrando no carro.
Entrando no céu.
Alegre.
Você já viu a mulher dos peixes alegre?
Não, eu não perguntei se ela sorria.
Perguntei se você viu as costas da
mulher dos peixes entrando no armazém,
entrando no carro, entrando no céu.
O cabelo pretinho de asfalto.
Eu vi. E tinham todo o seu tempo num dia.
Só não sei de onde vieram assim, cansadas.
Como as tuas passando o café agora, se for preciso.
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