poemas cubas e torneiras
19.3.12
8.3.12
4.3.12
Passava eu uma escovinha nas unhas
e me lembrei da tua bolsa vermelha.
Não usavas bolsas vermelhas
quando te conheci na porta dum café.
Ninguém poderá dizer o que
fizemos, o que não fizemos.
Nossa história de vida tem
mais de três frases.
Paramos na quinta.
Se não estão a cortar galhos,
por que afiaram as serras?
-
Se ninguém tivesse escrito antes,
acho que eu não escreveria também.
Não gosto mais de romances.
Alguém mata, alguém morre,
alguém não faz diferença alguma,
alguém chega tarde demais.
Pede-se aos senhores hóspedes que,
ao entrarem e se retirarem de seus quartos,
façam a fineza de fechar a porta.
-
27.1.12
21.1.12
2.1.12
27.12.11
28.11.11
Double stops
-
24.11.11
1.
23.11.11

Venha morrer na minha casa
--
9.11.11
-
7.11.11
Não, eu não perguntei ao espelho.
Perguntei a você.
Já viu suas costas?
Des lá da nuca ao finzinho da cintura?
Viu?
Passar a mão não vale. E mão tem olho?
Viu nada.
Pois eu vi.
Ainda ontem a mulher dos peixes
me deu as costas pra eu ver,
como se tristes fossem.
A mulher dos peixes entrando
no armazém do outro lado da rua.
Entrando no carro.
Entrando no céu.
Alegre.
Você já viu a mulher dos peixes alegre?
Não, eu não perguntei se ela sorria.
Perguntei se você viu as costas da
mulher dos peixes entrando no armazém,
entrando no carro, entrando no céu.
O cabelo pretinho de asfalto.
Eu vi. E tinham todo o seu tempo num dia.
Só não sei de onde vieram assim, cansadas.
Como as tuas passando o café agora, se for preciso.
-
18.10.11
17.10.11
11.10.11
5.10.11
Nunca comi avestruz.
Comeu sim, linguiça de avestruz. Lembra?
Se não lembro, não comi.
Comeu sim.
Eu me lembraria do enjoo.
Está enjoada?
Reduza a velocidade.
Mais lento que isso não dá.
É.
Não entendi.
Não me entenda. Quem é o ministro da alimentação?
Não sei.
A carne do jacaré se come até o rabo.
O rabo também?
Assim ele é servido.
Que o jacaré só me veja de partida.
Ele ofende as minhas sensibilidades.
O jacaré?
Não, o cara que escreveu “Ele ofende as minhas sensibilidades”.
Suscetibilidade.
Ele ofende em tradução direta. Merda.
Pega um cigarro na minha bolsa.
Faça o retorno mais ali na frente.
Quer voltar?
Ela sabia que eu ia voltar.
Coloque dois cubos de caldo de carne
na panela de pressão e deixe dourar bem.
Capivara enrolada.
Oi?
Patê de tatu. Quero comprar patê de tatu.
-
todo mundo tem seu assassino no quarto dos fundos,
diz Tia Thally recheando um cream cracker
com miolos do Petiso Orejudo da esquerda
para a direita na mecânica das cartas líricas
pêssegos & penumbras
nosso apartamento sofre a influência
de todos os apartamentos em volta
naqueles poucos segundos de costas
-
13.9.11
Colecionando moedas sérvias.
Colecionando amigos mortos caixinhas de fósforo.
Colecionando poemas na gaveta do meio.
Colecionando CDs DVDs poeira.
Colecionando bolas de tênis com e sem pelo.
Colecionando eu-te-amo-mas-não-vai-dar.
Colecionando livros, ah sim os livros.
Colecionando celulares velhos.
Pilhas baterias e fichinhas de ônibus.
Colecionando plantas pimentas o antúrio da mãe morta.
Colecionando agendas de amigos que não telefonam.
Colecionando bibliotecas no Facebook.
Colecionando velas e lanternas, cantos escuros e Lúcio Cardoso.
Colecionando fotos amarelas praias distantes sorrisos posados.
Colecionando cigarros fumados copos bebidos camisetas puídas.
Colecionando palavras gentis em e-mails e mensagens eletrônicas.
Colecionando mentiras.
Colecionando sem comentários.
Colecionando aparelhos de TV relógios termômetros cartões-postais.
Colecionando sacolas beijos promessas juras internas cheiros.
Colecionando lençóis coloridos sobretudo brancos e fronhas.
Colecionando pesadelos ansiolíticos vitaminas cabelos brancos.
Colecionando gibis revistas literárias dicionários de fobias e filosofia.
Colecionando isqueiros.
Pedras e pedrinhas. Gozo dolorido.
O ódio alheio invejas aquele latifúndio.
Colecionando óculos lentes binóculos passarinhos à distância.
Colecionando cachorros gatos gambás coelhos galos e galinhas.
Noites sem dormir. Estações de rádio nos rádios.
Colecionando pensamentos positivos e epitáfios.
Colecionando canetas réguas borrachas papel cadernos vazios.
Rabiscos alfaces tomates dias de chuva.
O fogo aceso lenha queimando.
Colecionando braçadas na piscina.
Os minutos sem respirar.
Colecionando você indo embora e voltando.
Calendários ímãs bicicletas de duendes.
Colecionando acima de tudo facas.
Exames de sangue urina fezes.
Colecionando a sua paciência numa raquete.
Colecionando chocolates, claro, chocolates.
Talões de cheque. Qual o seu preço?
Colecionando pegadas na areia quente.
Vertigens dor de estômago pomadas sombras azuis.
Gente atrás da porta. Já-te-esqueci. Pneu furado. Vidro, muito vidro.
Colecionando milhagens e um adesivo na traseira:
Life is Good.
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5.9.11
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