17.1.14

Carta a Emílio





Dores do Indaiá

Bom Despacho

Carmo da Mata

Cláudio

Belo Horizonte

Não gosto de sair de casa, Emílio

A névoa entra nos sinos

A névoa entra na alma

E tange todo o seu azul para o céu

De pedra e cal descompassado

Derramado por uma corda de sisal

São João del-Rey

Ouro Preto

Diamantina

Sabará

Por lagoa do Pilar

Essas vozes de bronze molhadas

Saídas da torre de boca para baixo

De trens de ferro e montanhas na caixa

De clavinas, facões, pólvora e bestas de carga

De uma légua de onde todas as outras partem

Dão o repique metal da Boa Morte

A outras almas cruzadas em público

Sinais visíveis de coisas invisíveis:

Não chora não, que eu vou pro céu

Não chora não, que eu vou pro céu

Em duas séries de dobres simples para mulheres

Três séries de dobres simples para homens

E até nessa hora, Emílio, até nessa hora, arremate

Uma mulher sem alma não deve sair de casa